Esse talvez seja o lema principal do novo momento da cultura do Estado da Bahia, e em especial do nosso Território 18 (Litoral Norte e Agreste Baiano), que apesar de suas riquezas culturais se pensa pouco no trato dela, pois ainda se faz política cultural com mão de ferro e com ações isoladas, esquecendo o poder da comunidade artística local e de pessoas e grupos comprometidos com a cultura popular da região, digo isso numa analise mais tolerante, sem contar com a resistencia de muitos Prefeitos em criar uma secretaria especifica de cultura, desvinculando de outras assim como fez o Governo do Estado, na gestão de jacques Wagner. Há quase 20 anos movimentos em pró da Cultura discutiam e chamavam a atenção para a gestão descentralizada da Cultura na Bahia, e hoje esses grupos e movimentos organizados como a Câmara territorial de Cultura (recém criada) provocam a participação popular nas discussões, dialogando e sugerindo ao governo novas ações, inserindo as manifestações culturais do nosso território no calendário Estadual, porque se falava e incentivava apenas o produto cultural metropolitano, desprestigiando regiões ricas de cultura e de um povo extremamente criativo. Cultura é qualidade de vida! viver é, passear nas estações de trem e relembrar o passado, fazer uma prece numa Igreja histórica admirando sua arquitetura e grandeza, filmar, fotografar, paisagens da região preservando os detalhes dos costumes e crenças da comunidade, dançar a marujada dos caboclos litorâneos, reizados, caretas de lama, que assustam e animam os povoados nos fins de tarde, apreciar o artesanato e a culinária do povo do agreste, ler bons livros de autores da região, que muitas vezes conversa com você na esquina, ou no barzinho para ouvir critica de sua obra; pintores, artesãos, músicos que estão nos largos e praças mostrando seus trabalhos e encantando do mais simples ao fidalgo, durante a animação vamos pro pé do tambor de candomblé, pedir proteção aos orixás, sem esquecer as procissões e festas populares que carregam valores religiosos e culturais incalculáveis, de noite, eta forró gostoso que pipoca em cada canto, entre uma e duas doses de licor comendo amendoim sentado num banquinho feito por seu Jose (artesão), que faz tudo de madeira e D. Maria que faz aquela canjica gostosa. Há! não posso esquecer de mandar os e-mails para meus amigos pois computador para todos aqui não é luxo, é inclusão. As ferramentas estão aí, buscar conhecimento à partir da necessidade de orientar, lideranças, artistas, gestores, associações culturais, desde aquele contador de historias da zona rural, até os grandes intelectuais, ajudar na discussão e implantação dos conselhos, lutar por uma secretaria orgânica em cada município do território, captar recursos, através de uma política cultural, disputando os editais, todas essas ações farão a diferença se a comunidade estiver participando, e é esse desafio que temos que buscar. Uma política Cultural séria em nossa região consiste em fomentar a cultura como política publica essencial para o bem estar, geração de emprego e renda, atração de investimentos para desenvolvimento local, povo feliz, povo respeitado, povo com identidade. A Câmara Territorial trará novas perspectivas, tanto para os dirigentes municipais quanto para a comunidade artística; mesmo porque através da política do governo federal, e estadual que optou pela criação de Territórios, os atores tem mais acesso a esses bens culturais, assim como promovem uma curta distancia entre os órgãos federal e estadual, além da parceria com as Universidades. Esta iniciativa do Governo do Estado, tem um valor histórico para nós, tanto no campo da pesquisa, quanto no fomento da cultura de nosso Território, pois são essas iniciativas que quebram as barreiras da burocracia jurídica, da má vontade dos gestores em investir no crescimento cultural dos Municípios, celebra a vontade da militância que faz a cultura acontecer nos municípios, disputar com qualidade os editais , discutir e propor essas etapas nas pequenas comunidades, (conferencias Municipais, conferencias Territoriais, Conferencia Estadual e Conferencia nacional), para que os mesmos sintam-se responsáveis pelas boas noticias da cultura local, e territorial. Considera-se solidário a iniciativa do Governo do Estado, que mostra que aquele remo do barco que estava abandonado já não está sem remador. É importante também valorizar as ações do territorio, que tem se empenhado bastante junto aos governos Municipais, na construção da conscientização dos mesmos, dando a importância necessária aos artistas do Estado, incorporando outros atores a este importante momento de crescimento da sociedade baiana atual. Portanto a Câmara territorial de Cultura é um compromisso importante para cada dirigente, cada artista e setores engajados pela Cultura, torna-se um espaço de discussão e valorização daqueles que se empenham no dia a dia e não ficam apenas assistindo aos espetáculos. A PEC 150, o vale-cultura, e a própria Câmara Territorial entre outros, já são realidade, mas pouca gente sabe da importância desses incentivos. Abordar também essas discussões dentro das comunidades será uma vitória de todos nós.
Sim, nós podemos!
Reinaldo dos santos
Dirigente Cultural / Terr. Alagoinhas
Coordenador de Turismo- Esplanada/Ba
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